Esquenta com Karen Worcman
Em 1991, Karen Worcman, por acreditar na força da memória social, deu início ao projeto Museu da Pessoa. O objetivo do trabalho sempre foi o de construir uma rede internacional de histórias de vida e, por meio dela, contribuir para o avanço da sociedade.
Quando foi criado, o Museu da Pessoa não tinha site. Mas, de olho no futuro, a equipe já se preocupava em arquivar o material digitalmente. Hoje, o site é uma grande plataforma de compartilhamento de histórias de vida. Qualquer pessoa pode dar sua contribuição, escrever e enviar o que tem para contar.
Karen está no time dos debatedores do WikiBrasil: Mutirão de Conhecimentos Livres. A seguir, a entrevista que ela deu com exclusividade para o site do evento.
No Museu da Pessoa as pessoas compartilham suas histórias. Pela sua experiência, o brasileiro tem potencialidade para ser um bom colaborador de conhecimentos na internet?
Acho que o brasileiro tem a cultura da colaboração, sobretudo de informações e conhecimentos. Neste sentido, acho que o uso deste meio se encaixa bem com nossa cultura. A questão maior reside não na colaboração, mas na linguagem escrita, que não é a mais usada pelos brasileiros.
O que você acha de uma rede colaborativa narrativa, onde um interage com a história do outro?
Acho que este é o futuro para fazer melhor uso das histórias de vida. Interagir com o outro por meio de sua história é, na visão do Museu da Pessoa, uma das formas mais poderosas de promover a compreensão e empatia entre as pessoas na nossa sociedade.
Você acredita que o compartilhamento de conhecimento na internet pode ajudar no combate à desigualdade social?
Em certa medida sim, a partir do momento em que conhecimento e informação – mais o conhecimento do que a informação – são formas efetivas de poder. Assim, quanto mais a informação for disponibilizada, mais poderão ser ampliadas as esferas de conhecimento. Mas, acho que a informação pura e simplesmente não dá conta de promover a disseminação do conhecimento, que pressupõe um espírito crítico e uma base de cultura daquele que absorve a informação. Neste sentido, o combate à desigualdade social passa não só pela questão econômica e política, mas também por um enfrentamento da qualidade da educação no país.
O que você mais gostaria de ver compartilhado na rede?
Além das histórias de vida, acho que experiências e estratégias que pessoas e grupos sociais tiveram e utilizaram para enfrentar criativamente seus problemas. Por outro lado, as iniciativas já existentes, que disseminam cultura (de bibliotecas virtuais à Wikipédia) e conhecimento são uma das coisas das quais mais podemos e devemos nos orgulhar e promover.




